A vida vai melhorar..
Creio, sinceramente, que se não houver uma revolução moral que coloque os interesses do homem acima dos interesses do lucro, em menos de 50 anos teremos uma população mundial idiotizada e poderemos enterrar quaisquer resquícios culturais.
Eventualmente também, um dos bilhões de servos do neolibertinismo se olhará no espelho e concluirá que faz parte de uma grande manada que, embora aparentemente tenha a maioria dos seus desejos atendidos, está triste e entediada. Pois sente vagamente que não é dona de si mesma, não pensa por si própria e perdeu a individualidade.
Não pode escolher o que comer, já que terá que se decidir entre três marcas. O mesmo vale para a bebida, os frutos, os remédios, a diversão. Basta ligar a TV para verificar que chegamos a uma programação barata (programas de entrevistas em que sempre tem um idiota querendo dizer bobagens em frente à câmera), obscena, promíscua e mentirosa, por conta da publicidade.
Quem tiver talento, inteligência, originalidade, perca as esperanças de ser aceito, pois a arte deve ser compreendida por todos. E, neste momento, escritores e artistas transformam-se em bufões do capitalismo. A arte que não for leve entretenimento, a arte que leve à indagação nem precisará ser proibida, pois o próprio povo a desprezará. Comparado com o que virá por aí, o Admirável mundo novo, de Huxley, seria um paraíso.
Depois de eliminarem o peso morto - o proletariado -, os neoliberais nos apresentarão a uma sociedade onde tudo será permitido, menos pensar.
Levou tempo para as coisas chegarem a esse ponto. Mas a primeira parte já foi concluída: acabar com a cultura brasileira, acabar com os líderes políticos, acabar com as ideologias, tornar Cristo sócio de igrejas vigaristas e transformar o neoliberalismo numa religião a ser ensinada, das escolas primárias às grandes universidades.
A segunda parte será acabar com o povo através de guerras, prisões, peste e falta de alimentos básicos. Do povo sobrarão apenas os servidores, aos quais informarão que um dia também poderão ser senhores. O programa será: menos escolas públicas e mais presídios particulares.
Os escravagistas diziam ter chegado à sociedade ideal. Jogamos água no chope deles. Os colonialistas se diziam perfeitos e estragamos a festa deles. No princípio do século 19, David Ricardo, Thomas Malthus e outros respeitáveis economistas declararam que o melhor que podiam fazer pelos pobres era tirá-los da ilusão de que têm direito à vida. "Está provado que o povo não tem outros direitos além daqueles oferecidos pelo mercado irregular de trabalho."
Não é exatamente o que pensam e executam os donos da maior parte do mundo hoje em dia? Ainda assim o povão reagiu a essas palavras cruéis e convenceu as elites de que a vida podia ser preservada com alguns contratos sociais. Vinte anos mais tarde, durante uma palestra em Oxford, William Morris, depois de declarar-se socialista, disse: "Não posso acreditar no sistema de mercado no qual o diabo leva sempre a melhor. Mas se chegarmos a esse ponto, a civilização morrerá e eu não quero acreditar nisso".
Levou tempo para as coisas chegarem a esse ponto. Mas a primeira parte já foi concluída: acabar com a cultura brasileira, acabar com os líderes políticos, acabar com as ideologias, tornar Cristo sócio de igrejas vigaristas e transformar o neoliberalismo numa religião a ser ensinada, das escolas primárias às grandes universidades.
A segunda parte será acabar com o povo através de guerras, prisões, peste e falta de alimentos básicos. Do povo sobrarão apenas os servidores, aos quais informarão que um dia também poderão ser senhores. O programa será: menos escolas públicas e mais presídios particulares.
Os escravagistas diziam ter chegado à sociedade ideal. Jogamos água no chope deles. Os colonialistas se diziam perfeitos e estragamos a festa deles. No princípio do século 19, David Ricardo, Thomas Malthus e outros respeitáveis economistas declararam que o melhor que podiam fazer pelos pobres era tirá-los da ilusão de que têm direito à vida. "Está provado que o povo não tem outros direitos além daqueles oferecidos pelo mercado irregular de trabalho."
Não é exatamente o que pensam e executam os donos da maior parte do mundo hoje em dia? Ainda assim o povão reagiu a essas palavras cruéis e convenceu as elites de que a vida podia ser preservada com alguns contratos sociais. Vinte anos mais tarde, durante uma palestra em Oxford, William Morris, depois de declarar-se socialista, disse: "Não posso acreditar no sistema de mercado no qual o diabo leva sempre a melhor. Mas se chegarmos a esse ponto, a civilização morrerá e eu não quero acreditar nisso".
Nem eu, meu caro Morris, mas é o que está acontecendo. E no Brasil as leis só servem aos ricos, que jamais vão para a cadeia e a política é tão hipócrita a ponto de venerar em sessão solene a memória de um político que foi o maior defensor da ditadura. Além disso, os membros de um partido que sempre representou a direita mais fascista decidiram trocar de nome e de PFL virar Democratas.
É natural, portanto, que queiram convencer a população de que ela não é escrava, embora não lhe dêem nem o direito de dormir na rua. E para fechar com chave de ouro, estão preocupados com o destino de dois pugilistas devolvidos a Cuba, mas não demonstram preocupação com dezenas de milhares de crianças que vendem seus corpinhos para tarados por R$ 1.
É natural, portanto, que queiram convencer a população de que ela não é escrava, embora não lhe dêem nem o direito de dormir na rua. E para fechar com chave de ouro, estão preocupados com o destino de dois pugilistas devolvidos a Cuba, mas não demonstram preocupação com dezenas de milhares de crianças que vendem seus corpinhos para tarados por R$ 1.
Gostaria de apresentar uma questão a nossos poucos intelectuais, a maioria dos quais trabalha na TV, e a nossos acadêmicos, que escondem a ignorância atrás de palavras que nem eles entendem: será mesmo uma utopia acreditar numa ordem pós-capitalista na qual possamos construir uma economia baseada nos princípios de cooperação, igualdade, auto-governo e liberdade individual?
Pergunto isso porque a maioria dos comunicadores, principalmente no terceiro mundo, é responsável em boa parte pela ideologia neolibertina de incutir a ilusão de liberdade no povo. São eles que, através dos meios de comunicação, tornam o sapo do neolibertinismo (dias desses eu explico) numa coisa bonita, palpável, inteligente, generosa, necessária e até mesmo desejável.
E, para apresentar o próximo número, chamarei ao palco...
(Fausto Wolff)


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