"A partir da década de 90, sob o poder hegemônico dos EUA (Consenso de Washington), o Brasil passa a ser palco de “experiências neoliberais”. Dentro de um contexto de “financeirização do capital”, com a vitória de Fernando Collor de Mello nas eleições de 1989, o Brasil passa a ser ainda mais um espaço propício para a disseminação dos interesses de mercado e o desmantelamento do público. A “era neoliberal” marca o desenvolvimento e a ampliação de acontecimentos desastrosos: fome, doenças, privatizações, violência e corrupção endêmicas, desemprego estrutural, refluxo dos sindicatos revolucionários, os professores abandonam teorias e esperanças revolucionárias, os teatros e cinemas são fechados ou entram para dentro dos shopping centers (o Teatro Oficina, importante grupo teatral paulistano luta para não ser transformado em mercado pelo Grupo Sílvio Santos). O “neoliberalismo” exige individualismo radical: tudo pago e uma enorme facilidade em acolher bancos, empresas e outros crimes do capital, agora globalizados.
A marca das empresas? Ganhar dinheiro e, como as mudanças nunca são só na economia, conforme Giovanni Alves, após os “anos Collor” percebe-se ainda mais a vida ser constituída a partir de elementos intrínsecos do capital, é produzida historicamente uma “sociabilidade neoliberal”: relações humanas contaminadas por interesses privados. “Financeirização da vida”. O outro serve na medida em que eu vou ganhar. O que eu vou ganhar com isto? O que você vai ganhar? Numa sociabilidade fundada na propriedade privada, que exige subalternidade e frieza nos cálculos, estreita-se os espaços para valores como solidariedade, para a lógica “neoliberal” o que vale é o lucro, o resto o mercado resolve, o resto os burgueses “neoliberais”, ainda mais idiotas, calcula, pensa, pesa e elimina ou cria uma organização não-governamental para lucrar com a miséria da maioria da população do país.
Segundo Robert Kurz em “Os últimos combates” (1997), muitos vínculos sociais são rompidos em todas as classes sociais, “tanto o efetivo processo econômico quanto a ideologia neoliberal tendem a dissolver as relações humanas na economia” (1998:145). Conforme Kurz, o economista norte-americano Gary S. Becker, Prêmio Nobel em 1992, desenvolveu a hipótese de que o comportamento humano, em épocas neoliberais, é orientado pela relação custo-benefício. Mas é claro que as sociedades vitimadas pelo pensamento “neoliberal” não foram efetivamente homogeneizadas, o levante de Chiapas, no México (1994), com o Exército Zapatista de Libertação Nacional é visto por muitos como uma resposta a esta ofensiva globalizada do capital. No Brasil tem-se ainda o MST, MTST, Movimento Quilombola etc."
Fábio Nunes Silva
http://www.telacritica.org/ArtigoFabioTelaCriticarevista5.htm

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