terça-feira, 15 de março de 2011

Sobre Karl Marx



Conversando com amigos de uma comunidade virtual chamada "Filosofia de Karl Marx" deparei-me com a seguinte pergunta: Por que o povo não lê Karl Marx?

Bem, primeiro precisei parar para pensar que povo é este. O nosso país é formado por uma sociedade multicultural. Classes culturais variadas. O miserável que vive preocupado com comida já não lê coisa alguma, alguns acham que é pela quebra do silêncio necessário à leitura, causada pelo ronco do estômago. Começa o desconforto ao analisar o que andam fazendo as classes acima desta. A classe média desse país imbecilizou-se, como dizia Fausto Wolff. A (sub)cultura da inutilidade tomou conta das mentes que só enxergam, hoje, porcarias midiáticas. As classes mais acima souberam como requintar as porcarias. As inutilidades (sub)culturais aqui são consumidas nos  ambientes mais "fashion", mas é a mesma inutilidade ocupando espaço mental. Desde a moradora da favela até a madame da zona sul do Rio de Janeiro, estão todos, desgraçadamente, preocupados com a nova aplicação de botox da Ana Maria Braga.

A conclusão que se chega é que a praga é geral. Alain Minc, do jornal Le monde, em sua obra "A nova idade média", editora Ática, elabora tese genial. Para este autor o mundo está em nova idade média. Ele pega a teoria de Giambattista Vico de que a história da humanidade passa por fases cíclicas, ou seja, apogeu, decadência, caos e reerguimento, e sentencia que vivemos em nova era em que se abandonou a razão para cultuar posturas vazias, nova era de trevas, novo caos. Se a humanidade na original idade média tinha o deus católico (lembra que queimaram Giordano Bruno na fogueira por dizer que a terra era redonda?) como  eixo central da postura não lúcida, na atual idade medieval tem-se o deus mercado/capital. É por ele que se sacrifica todos os valores, todos os ideiais (lembra que estão destruindo o meio-ambiente para que se tenha mais lucro e de forma mais rápida?). A trevosidade é a mesma. Só mudou de século. E com uma era renascentista no meio.
Bom, mas íamos dizendo que o povo não lê Marx. Filósofo, cientista político, economista, sociólogo. Certamente o mais completo pensador que já tivemos. Alguém que imaginou um homem livre da exploração que gera o lucro pelo lucro. Falamos depois, no mérito, da revelação de um capitalismo irracional e de um socialismo libertário para a humanidade pensado por Marx. Queríamos hoje apenas falar do distanciamento deste pensador (bom ou mau, que fosse) com a literatura consumida pelo povo brasileiro.

Demos a seguinte opinião:

"O povo não lê Marx porque sofreu historicamente profunda intervenção alienante.

Já não era boa coisa o brasileiro ser "o povo cordial" (cordial no sentido de coração - para Sérgio Buarque de Holanda o brasileiro é um homem que pensa com o coração) depois disso, esse mesmo povo foi totalmente alienado (EUA, Militares e Globo na parada) para servir melhor como massa de manobra, de exploração. De postura, passiva, não questionadora.

Além disso, fixou-se no inconsciente coletivo desse povo a idéia de um Marx macabro, anti-cristão, anti-família, anti-tudo-de-bom. Quando se fala em Marx para um brasileiro comum vê-se a cara de ojeriza de quem odeia algo que nem sabe do que se trata, mas que identifica inconscientemente um Marx com um fantasma a ser evitado, não a ser conhecido.

Até entre os que têm educação formal superior (principalmente nas áreas naturais - médicos, dentistas...) que têm hábito de leitura, a coisa é quase no mesmo pé - desconhecimento total de Marx - a mesma idéia de senso-comum das classes sociais mais afastadas da leitura. Vira tudo um bolo só quando de trata de Marx.

Agora veja, um povo que tem a mais medíocre classe dominante do mundo, Globo, uma ABL que tem Marco Maciel, José Sarney, Paulo Coelho... é para matar a filosofia e os grandes pensadores na literatura de um povo.

O povo não lê Marx porque houve e há uma grande armação nesse sentido pela classe dominante. Mais alienar para mais explorar.

E tome Harry Portter, BBB, Ronaldinho, silicone da fulana..."

Um comentário:

  1. Karl Marx é o mentor intelectual dos insatisfeitos com a realidade que vivemos.

    Em nossa sociedade há os satisfeitos, os que querem ficar satisfeitos, os que não querem ser satisfeitos por acharem que está tudo errado e os indiferentes.

    Aqueles já satisfeitos não se ocupam em mudar a sociedade.

    Os que querem ficar satisfeitos, idem, porque querem ficar iguais aos satisfeitos e por isso rejeitam quaisquer discursos que possam abalar suas crenças numa vida feliz.

    Já os que não querem ficar satisfeitos por não concordarem com a realidade atual, estes sim, fazem de Karl Marx um filósofo importante.

    Já os indiferentes, tanto faz e melhor ainda se ganharem algo com isso.

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